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POEMA DE ABERTURA

​Pra pisar os passos certos

nos caminhos já abertos por Exu

tomei café de meu Avô

minha Vó abençoou

 

no meu caminhar vou encontrar

a magia e a risada

Salve a Malandragem

e o povo da estrada

 

a sombra de tua mirada

chapéu de couro, couraça encarnada

Boiadeiro me garante segurança

 

ouvindo o som,

ouvindo o tom do tambor,

batucada de força

Kurimba de fé

 

no meu caminhar

vou me encontrar

firmando o ponto e o pé

 

 

 Victor_Set24

de onde vem
o círculo de tecido a cobrir minha cabeça *
roda em roda * paro aqui
roda aberta nas ruas truncadas *
é a dança * é o trabalho puro
essência doce * no ar que respiro
sentinela dúbia
é o giro 360 *
quando ela levanta
quero ver quem aguenta *

EXALTAÇÃO

​Literatura vitoriosa  

Tanto a minha quanto a tua 

Tão somente a sua persistência  

em meio a uma cultura sintética,  

automática, programada  

Onde o relógio e o velocímetro  

são personagens na trama de nossa jornada 

 

Por falar nesta situação  

A literatura fixou-se em minha mão  

Não como matéria,  

sem peso físico, mas 

de intensa relevância a mim revelada 

 

(literato cantabile) 

 

Este mundo 

___ que mundo sem eira nem beira ___ 

O mesmo que contribuo na criação, 

mundo torto e troncho, 

de cara mordida e sínica, 

é fonte de inspiração de tal escritura 

Já ela, em seus sinônimos, sua desconstrução, 

sua tradição pura ou pura ressignificação  

 

A literatura vai desmistificar o problema do mundo  

Melhorando nossa leitura da vida  

Ampliando nossa pessoa dentro de nós 

e de fora pra dentro 

 

(modus operandi) 

 

Então eu penso numa cena de leitura  

Várias cenas, por muitas horas 

Silenciosas, coletivas, transgressoras, tradicionais ___

Victor_Set24

OGIVA + PENSAMENTO CINZA, MÃOS VERMELHAS

centopéia

no sentido horário 

sentinela anti–herói

casulo fino, vago

pele nua

voo em vão, delírio – metamor – metamor

sistema consciente, harmonizado 

sem desculpa nem motivo ou medo

flutua – mudou e – agora flutua

desfez-se da gosma da qual veio

para fluir, esperou

para ser, sempre foi

para sair não demorou

mudou – agora – flutua

sentinela dúbia

casca – dor 

memento mori

casa – flor – asa – arpoador

risco, sobrevoo na relva

aventura nova na selva 

de pedra – o pouso, a espera

o lodo, a hera

capta o mundo na ponta–antena

epopéia, poeira doce 

brilho no ar, ser vi–voador 

arco–íris   borda infinita   céu magenta

olho bolita   caleidoscópio   cor bauxita

epopéia, poeira sobe – desce

poema voa

 

ex– rrática 

ex– máquina

retumbante ciclica, bater de asas

prática

limbo ou véu, maravilha

sintoma, baba ácida

bomba atômica

ogiva vã, casulo oco

requebra   cogumelo   o estrondo

libélula – libre – bela

projétil flutuando no espaço

pó, ema, eira, anti–bomba

galgando símbolos

verso voa, poema nasce

+

 

​​​Vejo o dentro do caleidoscópio

Pelo lado do centro

Entro num vínculo com o espelho

Num pequeno universo adentro

Alguém que vive em outro tempo tão além

Um pedaço de vidro é o espelho do futuro

Que caco corta nossa bolha retina

Espalha no ar as células cruas

Movimento cresce nas veias e jorra

Nunca para

Nunca estanca esse sangue

E também o pensamento

Pensamento cinza

No plural do reflexo: pensamentos cinzas 

Calados, facilmente quebradiços 

Estilhaços que se tornam sonhos intocáveis 

De tão impossíveis de tão cortantes

Se encontram sobre o chão em incontáveis 

farpas cepas minúsculo brilho

Mas são cinzas

Pensamento cinza

Mãos vermelhas

Victor_Set24

© 2025. Poeta Victor. Orgulhosamente criado com Wix.com

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